A Vadia

A Vadia

Lá estava ela, mais uma vez. Noite afora, já era mais dia do que noite. Com um dos seus vestidos mais provocantes e uma sandália de salto alto fino que acentuava as curvas da coxa e panturrilhas. Toda perfumada e penteada, não havia um homem sequer que resistisse alguns segundos de contemplação. Era alta, chamativa, sexy, e ela sabia disso. Não era ingênua. Desde que entrou na adolescência, aprendeu a se acostumar com os olhares, com as frequentes abordagens, com os silêncios repentinos toda vez que ela chegava em algum lugar. Ela era daquelas que poderiam ter qualquer um. Bastava ela ficar parada no meio da pista que os homens faziam fila para abordá-la. Era um “não” atrás de outro. A cada homem que ela dispensava, seu ego aumentava mais ainda. Ninguém era bom o suficiente para ela.

Mas algo estranho aconteceu naquela noite. Em meio a tantos olhares focados nela, ela focou seu olhar em um homem. Este homem, curiosamente, ainda não havia reparado nela. “impossível”, pensou. Posicionou-se mais perto dele para entrar em seu campo de visão. Nada. Sequer um olharzinho. Chegou mais perto, quase na frente dele. Não tinha como ele não vê-la. Ela olhou fixamente para seus olhos. Então ele percebeu. Olhou para os olhos dela, sorriu. Ela respondeu com outro sorriso. Continuaram se olhando. Mas o homem nada fazia além de olhar e sorrir. “que que ele tá esperando?”, ela estava se irritando. Por que ele ainda não foi falar com ela? Estaria acompanhado? Compromissado? Seria homossexual? Tímido? Jamais ela saberia. Ela nunca tomava a iniciativa. Sua vida inteira se resumia em falar “sim” ou “não” para as propostas q recebia.

Enquanto ficava com aquele conflito de pensamentos na cabeça, uma outra mulher se aproximou dele. Sem mais nem menos, falou algo no ouvido dele. Ele sorriu e respondeu da mesma forma. Seria sua namorada? Ficante? Amiga? Não se podia ouvir do que estavam falando, mas era fácil notar que haviam acabado de se conhecer. Conversaram por mais alguns minutos e então se beijaram.

A outra assistiu tudo de camarote. Ficou enfurecida. Depois de tudo que havia feito, perdeu para uma qualquer. Uma ignorante que desrepeitou seu papel de mulher, de passiva. Uma descarada que teve a ousadia e a cara de pau de tomar a iniciativa. Uma safada que ousou desafiar as leis da paquera entre homens e mulheres. Uma vadia.

Créditos da imagem: cidaderiodejaneiro.olx.com.br

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