Pai e Filho – Domingo de Futebol

dezembro 5, 2011

O filho não queria que o domingo acabasse…

Finalmente o filho criou vergonha na cara para cumprir aquela velha promessa do: “pô, esse ano eu vou assistir um jogo no estádio”. Comprou os ingressos com um mês de antecedência, para ele e para o pai. A última e única vez em que foram no estádio juntos foi há mais de 12 anos. Nem lembravam do nome do adversário. Desta vez era especial. Decisão de campeonato, jogando em casa, contra o maior rival da história. Vestiram suas camisas recentemente adquiridas e foram pro estádio. Logo que desceram do metrô, já foram envolvidos pelo clima de decisão. Ambulantes vendendo bebidas, camisas e bandeirões, multidões cantando o hino do clube, o chão tremendo cada vez mais à medida em que se aproximavam do estádio.

Lá dentro, viram as arquibancadas completamente lotadas, mesmo faltando mais de uma hora para o início da partida. Era final de campeonato, e a atmosfera era maravilhosa.

Antes do início da partida, um minuto de silêncio para homenagear o Dr. que falecerá naquela mesma madrugada. O pai emocionado, fez um esforço e conseguiu conter as lágrimas. Já assistira o Dr. brilhar muitas vezes usando a camisa do seu clube.

O juiz deu apito inicial e começou a partida. Tanto pai quanto filho não conheciam nem metade dos cantos da torcida organizada, mas batiam palma e tentavam acompanhar. Era impossível não ser contagiado pelo clima de uma final. Ainda mais no estádio. O filho lembrou das inúmeras vezes em que assistiu o jogo com o pai, sentados no sofá da sala, totalmente apáticos. Mas no estádio era outra história. Cada lance, cada jogada, por mais insignificante que fosse, arrancava berros e pontadas no coração de tanto desespero! “UUUUUUUUUUUUUUUUUHHHHHH!!!!!” gritaram, quando o time quase marcou um gol no finalzinho do primeiro tempo.

O time precisava apenas de um empate para ser campeão. Ainda assim, o adversário não dava o braço a torcer, e assustou inúmeras vezes durante a partida. O pai, a cada lance perdido, resmungava alguma praga sobre o time e/ou o técnico. O filho achou engraçado, mas também se colocou no lugar do pai e imaginou o quanto deveria ser deprimente assistir esses jogos de hoje em dia, depois de ter visto, ao vivo, ídolos como Sócrates, Rivelino e Neto fazerem magia em campo, literalmente.

Quanto mais perto a partida chegava do fim, mais ansiosa ficava a torcida. Foi quando o principal jogador adversário foi expulso. Aí a torcida comemorou como se fosse um gol! O filho gritou “CHUPAAA!”, já o pai foi mais contido e ficou apenas na risada. Quando foram perceber, estavam os dois abraçados, contando os segundos para o final do jogo. E finalmente veio o apito final! Pularam, gritaram, cantaram, comemoraram que nem criancinhas na hora que estouram a “piñata“. Eram campeões!

Ao chegar em casa, o filho ficou lembrando os momentos que teve com o pai na partida. Foram noventa minutos inesquecíveis! Noventa minutos em que nem parecia que os dois tinham um relacionamento frio. Na verdade, mais parecia que um era o filho exemplar, e o outro, o melhor pai do mundo.

O filho não queria que o domingo acabasse...

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